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“Ah esse Brasil lindo e trigueiro,
É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro…”

Terra de fome e de dor, esse Brasil sobre o qual falo não tem nada de belo.
Brasil que maltrata seus filhos, esquálidos seres marrons, brasileiros de segunda classe, de um lugar bem longe, onde a televisão não chega, onde a luz não chega, onde a água é escassa e suja. Onde o político chega, mas só para pedir voto. Onde chegam as estrelas com a noite e o sol escaldante com o dia.
Brasil da bolsa escola, bolsa família, onde chega a esmola e falta a dignidade; onde chega a escola e não o ensino; onde chega um filho todo ano porque Deus quis assim.
Brasil da desesperança, da conformidade, é o meu Brasil brasileiro, terra de fome e desespero.

Palavras, palavras, discurso, falatório… Mundo estranho esse nosso. Tão lindo, tão imenso e tão maltratado. Maltratado por seus filhos, seus donos, por aqueles que usufruem da sua riqueza, da sua fartura, da sua beleza. Conferências, encontros, congressos e onde está a paz que precisamos? Onde estão esses homens que decidem o nosso futuro? Em suas casas, com suas famílias, cercados de seguranças e de móveis e cortinas caras. Enquanto isso, em algum lugar do mundo que eles controlam, morrem crianças de fome, vitimadas pela violência, morrem animais, extinguem-se espécies. Uma criança nos mostra o caminho, nos convida a viver uma vida diferente, a tomar decisões com objetivos diferentes daqueles que visam o acúmulo de bens materiais. Esse foi o ponto alto da ECO 92. É absolutamente fantástico o discurso dessa criança canadense. Hoje com 17 anos a mais, ela não conseguiu mudar a realidade do planeta, mas as suas palavras serão sempre atuais se não conseguirmos encontrar uma forma de cuidar melhor da Terra.

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